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janeiro 23, 2011 / bzlcbf

Paredes

Paredes, parem! Paredes, dêem uma trégua. Paredes, eu achava que eu as tivesse construído para me abrigar. Eu achei que nós tivéssemos colocado vocês para nos unir. Para construir barreiras entre aquela realidade. Para fazer com que nos esqueçamos de lá fora e permanecer no interior da vasta imaginação.

Eu achei que nós tivéssemos construído tudo isso. E agora eu acho que eu estava iludido também. Vocês desmoronaram. Alguém implodiu vocês. A gente deixou isso ser levado. E agora aquela proteção, que outrora era duradoura, foi-se. Acabou os sonhos e ficamos. Ficamos separados. Desunidos.

Difícil será a conversa a partir de agora. Paredes, voltem. Reergam.

César

janeiro 11, 2011 / bzlcbf

Profunda Dimensão

Eu achava que tinha um amigo

Mas percebi que não tenho nenhum

E isso parece deixar-me mais amargo

x

Toda vez que eu olho algum

Vejo esse e seu bilhão

César

janeiro 10, 2011 / bzlcbf

Eles

Eles nunca me entendem e eu nem sempre os entendo bem. Julgo da maneira errada às vezes, pensando ser a certa. Mesmo que a interpretação certa esteja nos meus olhos, eu pareço entender erradamente.

Mas moldo-os de acordo com meus sentimentos. De acordo com o que eu quero sentir. Ou o que preciso sentir. Ah! Se eles entendessem…

César

janeiro 10, 2011 / bzlcbf

Valor

Só eu e meus livros velhos.

César

janeiro 10, 2011 / bzlcbf

Amargo

Estou tremendo. E estou sem consciência dos meus atos. O que eu digo, ou o que eu costumava defender, já não condiz com meus feitos. Tentei ser preciso, agora a pouco, mas falhei por conta da tremedeira. Talvez seja falta de algo. De algum vício meu que eu joguei fora. Ou de algo que está próximo de ser meu novo defeito.

Pode ser falta daquilo. Ou disso. Parece que o que eu fiz, não adiantou. O mal causado em mim, por mim mesmo, parece ter sofrido em cima de um véu. E não compensou. Devia ter tido mais. Ter sido maior. Mais profundo também.

Às vezes eu sinto esse gosto amargo e creio que seja do meu ser. Mas eu não consigo me livrar. O ciclo começou assim e continua. E nunca irá terminar. Ciclos são viciosos. E é assim que será. Ao infinito e além.

Uns dizem que eu deveria deixar de acreditar. Outros, de ser. Concordo com os dois. Se eu seguisse… eu poderia padecer. E seria bom. Como seria. Ter outras preocupações. Esquecer-me disso.

Mas prossigo. E é assim que termino.

César

janeiro 3, 2011 / bzlcbf

Vão

E de repente aparece o vão. Sob as minhas entranhas. O supérfluo aparece e detona.

César

janeiro 3, 2011 / bzlcbf

Estrela

A estrela que caiu do céu

Que eu possuía e que eu

Gostava, já não pertencia

Mais a mim. Roubaram-me.

x

Ela me era importante até

Demais, aliás. Não vivia sem

Ela. Só tinha ela para falar

E ainda sentia-me menos solitário

x

E agora que ela se foi,

Restou apenas eu e a irmã dela.

Pensei que ela pudesse ter voltado

Para o céu. É uma hipótese

x

E teve a oportunidade, também.

Mas lembra o que eu falei?

Tenho a irmã dela ainda…

Mas não a quero.

x

Ela é diferente do que eu preciso

E nova também. Não iria me entender

Ou talvez demoraria anos

Acho que não a quero mesmo.

x

Que indecisão. Tão difícil escolher

Entre largar e ficar…

E acho que acabei de perder a outra

Sozinho, agora. Só eu e meus pensamentos.

César